sexta-feira, 23 de setembro de 2011

João Cabral de Melo Neto



Esta semana, o programa homenageia o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Sua obra vastíssima, transita por diferentes estilos, indo do surrealista ao popular.
Foi membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras e recebeu diversos prêmios literários. No ano de sua morte, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.
Hoje, você lê o poema:

Tecendo o amanhã
1

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ruy Espinheira Filho


Ruy Espinheira Filho é poeta soteropolitano, escritor e jornalista. Mestre em Ciências Sociais, doutor em Letras e doutor honoris causa pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É professor associado do Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras da UFBA, membro da Academia de Letras de Jequié e da Academia de Letras da Bahia. Publicou 11 livros de poemas!
Hoje, leremos Soneto do Anjo da Maio:


                 SONETO DO ANJO DE MAIO                       

Então, em maio, um Anjo incendiou-me.
Em seu  olhar azul havia um dia
claro como os da infância. E a alegria
entrou em mim e em sua luz tomou-me o coração.

Depois, suave, guiou-me
para mim mesmo, para o que morria,
em meu peito, de olvido. E a noite, fria,
fez-se cálida - e a mágoa desertou-me.

Já não eram as cinzas sobre o Nada,
mas rios, e ventos, e árvores, e flamas,
e montes, e horizontes sem ter fim!

Era a vida de volta, resgatada,
e nova, e para sempre, pelas chamas.

desse Anjo de maio que arde em mim!
Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa

às 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

Acompanhe também no site:

http://www.irdeb.ba.gov.br/educadora/catalogo?busca=minutos+de+poesia  


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Amar!

Essa semana, ouvimos uma poesia fabulosa de Florbela Espanca. Este é também um dos mais famosos, entretanto, sempre vale à pena revisitar este poema-sentimento tão especial: AMAR           


Amar!



Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui...além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

 Amar! Amar! E não amar ninguém!



 Recordar? Esquecer? Indiferente!...

 Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!



Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!


E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... pra me encontrar...


Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa

às 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Juan Gelman



Juan Gelman é, talvez, o mais importante poeta argentino vivo. É também jornalista e tem seus poemas traduzidos em pelo menos dez idiomas. Atualmente vive no México com sua esposa,apesar de visitar a Argentina todos os anos.
Em 1997 recebeu o Prêmio Nacional de Poesia de seu país...
Bem... Agora que você já conhece um pouco da vida de Juan Gelman, vamos de poesia:

Chuva
Hoje chove muito, muito,
e parece que estão lavando o mundo.
meu vizinho do lado contempla a chuva
e pensa em escrever uma carta de amor/
uma carta à mulher que vive com ele
e cozinha para ele e lava a roupa para ele e faz amor com ele/
e parece sua sombra/
meu vizinho nunca diz palavras de amor à mulher/
entra em casa pela janela e não pela porta/
por uma porta se entra em muitos lugares/
no trabalho, no quartel, no cárcere,
em todos os edifícios do mundo/
mas não no mundo/
nem numa mulher/nem na alma/
quer dizer/nessa caixa ou nave ou chuva que chamamos assim/
como hoje/que chove muito/
e me custa escrever a palavra amor/
porque o amor é uma coisa e a palavra amor é outra coisa/
e somente a alma sabe onde os dois se encontram/
e quando/e como/
mas o que pode a alma explicar?/
por isso meu vizinho tem tormentas na boca/
palavras que naufragam/
palavras que não sabem que há sol porque nascem e morrem na mesma noite em que amou/
e deixam cartas no pensamento que ele nunca escreverá/
como o silêncio que há entre duas rosas/
ou como eu/que escrevo palavras para voltar
ao meu vizinho que contempla a chuva/
à chuva/
ao meu coração desterrado/

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Marina Tsvetaeva





À VIDA
Não colherás no meu rosto sem ruga
A cor, violenta correnteza.
És caçadora - eu não sou presa.
És a perseguição - eu sou a fuga.
Não colherás viva minha alma!
Acossado, em pleno tropel,
Arqueia o pescoço e rasga
A veia com os dentes - o corcel
Árabe

A poesia homenageada da semana, é a da russa Marina Tsvetaeva. Nascida em 1892, a poetisa teve uma vida curta e trágica. Opositora da  Revolução Bolchevique, abandonou a Rússia em 1922 para se unir o marido, que tinha sido  oficial do exército “branco” (forças russas que se opuseram aos bolcheviques) . Em 1941, se suicidou, com apenas49 anos. A fama de seu trabalho, entretanto, correu o mundo e agora aterrissa no blog do MINUTOS DE POESIA:

TOMARAM . . .
"Os tchecos se acercavam dos alemães e cuspiam."
(Cf. jornais de março de 1939)
Tomaram logo e com espaço:
Tomaram fontes e montanhas,
Tomaram o carvão e o aço,
Nosso cristal, nossas entranhas.
Tomaram trevos e campinas,
Tomaram o Norte e o Oeste,
Tomaram mel, tomaram minas,
Tomaram o Sul e o Leste.
Tomaram a Vary e a Tatry,
Tomaram o perto e o distante,
Tomaram mais que o horizonte:
A luta pela terra pátria.
Tomaram balas e espingardas,
Tomaram cal e gente viva.
Porém enquanto houver saliva
Todo o país está em armas.

Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Florbela

Hoje tivemos um poema lindíssimo de Florbela Espanca:


VERSOS

Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…


Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

O poema da semana é:



O amor é que é essêncial,
O sexo é só um acidente
Pode ser igual ou diferente.

O homem não é um animal.
É uma carne inteligente,
Embora às vezes doente.

Fernando Pessoa



E não deixe de acompanhar o programa MINUTOS DE POESIA na rádio Educadora FM 107.5. Horário: 11:30 e 23:30.

Ou escute na internete no site:
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