domingo, 30 de outubro de 2011

Vozes do Minutos


PARA CONHECER OS DONOS DAS VOZES QUE ACOMPANHAM VOCÊS DE SEGUNDA A SEXTA NO MINUTOS DE POESIA (107.5 FM):



GIDEON ROSA




HARILDO DÉDA e PANACÉIA DELIRANTE (da esquerda para a direita: Camila Guilera, Jane Santa Cruz, Milena Flick, Lílith Marques e Lara Couto)





YUMARA RODRIGUES e PANACÉIA DELIRANTE





sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fernando Caldas

Podemos dizer que Fernando Caldas é um poeta grapiúna sintonizado com as crises da sociedade atual. Para compreender a sua obra “requer, sem dúvida, não só o saber da obra de arte por dentro, como também o da sociedade fora dela.” (ADORNO, 2003: 68). O poeta critica as disparidades sociais e o conformismo em sua escrita engajada. Mas como o poema já fala por si, VAMOS DE POESIA:


 Peso
Fernando Caldas

Quantos tonéis de castanha
suportam as costas da moça,
se quente e estranha à vida?
Leves os salões e os risos,
os homens em sarongues,
a melodia que ela escuta e canta
desde mocinha, serelepe,
entrando e saindo de tudo,
contaminando-se do betume amargo.
Às suas retinas, porém,
só eu não sou leve,
eu e o meu amor pesado,
a densidade de uma paixão de anjo
que ela não merece,
se precisa, antes,
viver outros rodopios,
entregar-se a novos moinhos,
e, tardiamente,
arrepender-se de mim.

http://funkaldas.blogspot.com/ - Blog sobre Fernando Caldas


Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa

às 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

Acompanhe também no site:

http://www.irdeb.ba.gov.br/educadora/catalogo?busca=minutos+de+poesia  

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Cleise Mendes

Cleise Mendes é poetisa, dramaturga, membro da Academia de letras da Bahia e professora da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia... Uma mulher de teatro! Muitas das suas poesias falam sobre o Teatro, sobre a vida sob a luz dos holofotes ou os bastidores . E como a poesia fala por si só, Vamos de Poesia!


A Poesia no Teatro


Bocas, buchichos, bilhetes,
o beijo, o banzo, o batuque,
bispos, beatos, blasfêmias,
as conversas cavernosas,
cavando caos e castigo,
cartas cárceres carrascos,
cruzes, quilombos, capoeira,
denúncias, depoimentos,
devassas e desventuras,
a danação do degredo.


E a liberdade tecendo
o fio de sua renda:
navegar é preciso
que se aprenda.


Filetes deferimentos,
ferros, feitores, fidalgos,
(afã de fazer feitiço!)
garras, garrotes, gadanhos,
galhofas e galicismos,
o gosto das gargalhadas,
o gozo, o guizo, a gandaia,
a justiça justaposta,
gerando jeito, jeitinho
e gente jeremiando.


E a liberdade tecendo
o fio de sua renda:
navegar é preciso
que se aprenda.


Lágrimas lavam as leis
e as legiões de lacaios,
os livros em labaredas,
a luz, o lume, a legenda,
iluminismos letais...
masmorras, mortes, miséria,
meirinhos, maçons, muzenza,
o Nordeste, a novembrada,
novidades e novenas,
Napoleão e novelas.


E a liberdade tecendo
o fio de sua renda:
navegar é preciso
que se aprenda.


Os póstumos patriotas,
padres, peões, parasitas,
os poderes paralelos,
réus, rebeldes renitentes,
raças, revoltas, revides,
o real e a realeza,
os sambas e as assembléias,
selos, sigilos, segredos,
a sedição e seus sonhos,
o sangue e o suor descendo.


E a liberdade tecendo
o fio de sua renda:
navegar é preciso
que se aprenda.


Traidores e titulares,
o trono, a taxa, o tributo,
o tronco, a tortura, a tropa,
velas, vasos e vitrais,
os vassalos e os valentes,
(a vida à vazar das veias)
o xodó e o xingamento,
zona, zunzum, zombaria,
o zumbir da zurzidela,
zoeiras, zangas e zelos.


E a liberdade tecendo
o fio de sua renda:
navegar é preciso
que se aprenda.

Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa

às 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

Acompanhe também no site:

http://www.irdeb.ba.gov.br/educadora/catalogo?busca=minutos+de+poesia  

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Iana Carolina


Ela talvez seja a poetisa mais jovem de nossa seleção. Iana Carolina tem 19 anos, é de Itabuna- BA e escreve desde os 13. Sua poesia é publicada com regularidade na internet através dos blogs:


Para apresentar um pouco desse jovem talento, dedicamos a ela a postagem dessa semana:


Ex, posição

Tirar a atadura,
atirar pelo vento.
ferida ao vento; peito-
crepúsculo no pulso do vento~

- - - - - - - - - - - - - - - - - é com o vento que se cura
- - - - - - - - - - - - - - - todo medo.
- - - - - - - - - - --- - -- - impossível aprisionar prisioneiro
- - - - - - - - - - - - - -rebelde
- - - - - - - - - - - - - --- - arquiteto de fugas,
- - - - - - - - - - - - -- - impossível enganá-lo.
- - - - - - - - - - - - - -Quem pensa que engana pensa
- - - - - - - - - - - - - - porque é isso que pensa quem se engana ~


Eutanásia


Aqui na incubadora a vida é quase
quase sempre bela, menos nos intervalos
(e tudo que já não é fácil fica ainda menos, nos intervalos).
Mas aqui na maca até parece uma cama
e o sono é sempre tão morno e calmo...
Aqui com o pulmão de ferro dá pra respirar forte
até derrubar a casinha do meu medo.
Dá pra manter o mundo em segredo.
Dá pra muitas coisas que são bonitas sempre,
enquanto não começa o intervalo.

Masointervalonãotemintervalo

Não posso mais fugir das minhas coragens de nascer.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

João Cabral de Melo Neto



Esta semana, o programa homenageia o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto. Sua obra vastíssima, transita por diferentes estilos, indo do surrealista ao popular.
Foi membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras e recebeu diversos prêmios literários. No ano de sua morte, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.
Hoje, você lê o poema:

Tecendo o amanhã
1

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

2

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ruy Espinheira Filho


Ruy Espinheira Filho é poeta soteropolitano, escritor e jornalista. Mestre em Ciências Sociais, doutor em Letras e doutor honoris causa pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É professor associado do Departamento de Letras Vernáculas do Instituto de Letras da UFBA, membro da Academia de Letras de Jequié e da Academia de Letras da Bahia. Publicou 11 livros de poemas!
Hoje, leremos Soneto do Anjo da Maio:


                 SONETO DO ANJO DE MAIO                       

Então, em maio, um Anjo incendiou-me.
Em seu  olhar azul havia um dia
claro como os da infância. E a alegria
entrou em mim e em sua luz tomou-me o coração.

Depois, suave, guiou-me
para mim mesmo, para o que morria,
em meu peito, de olvido. E a noite, fria,
fez-se cálida - e a mágoa desertou-me.

Já não eram as cinzas sobre o Nada,
mas rios, e ventos, e árvores, e flamas,
e montes, e horizontes sem ter fim!

Era a vida de volta, resgatada,
e nova, e para sempre, pelas chamas.

desse Anjo de maio que arde em mim!
Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa

às 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Amar!

Essa semana, ouvimos uma poesia fabulosa de Florbela Espanca. Este é também um dos mais famosos, entretanto, sempre vale à pena revisitar este poema-sentimento tão especial: AMAR           


Amar!



Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui...além...

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

 Amar! Amar! E não amar ninguém!



 Recordar? Esquecer? Indiferente!...

 Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!



Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!


E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... pra me encontrar...


Para ouvir esse e outros poemas, escute nosso programa

às 11:30 e 23:30 na Rádio Educadora FM 107.5.

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