CONTISTA,
domingo, 26 de junho de 2011
ALEÍLTON FONSECA
CONTISTA,
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Soneto XXII
SONETO XXII:
- Meu espelho não me dirá que envelheço,
- Enquanto tenhas a mesma idade e juventude;
- Mas quando em ti vejo a essência do tempo,
- Sinto que a morte expiará meus dias.
- Pois, toda a beleza que viceja em ti
- É apenas um prolongamento do meu coração
- Que vive em teu peito, como o teu em mim:
- Como, então, eu seria mais velho do que és?
- Ah, então, meu amor, sê cuidadosa
- Como eu, não por mim, mas por tua vontade;
- Carregando teu coração, que guardarei comigo,
- Como a ama que protege seu bebê querido.
- Não penses em teu coração quando o meu fenecer;
- Tu me deste o teu para nunca mais o devolver
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Soneto XIV
De quem nós estamos falando?
WILLIAM SHAKESPEARE!!!
O Minutos de Poesia de hoje foi dedicado a este fantástico artista: com apresentação de Gideon Rosa e Lara Couto, o programa contou com a linda interpretação de Harildo Déda para o Soneto XIV:
sexta-feira, 27 de maio de 2011
John Donne
Elegia: Indo para o leito
Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.
Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra a vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Hoje, Fernando Pessoa
"Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando despertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são
Obscura luz paira onde estou converso
A esta realidade da ilusão
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão.
Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,
É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida.
Nada é real, nada em seus vãos moveres
Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida".
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Poetas Grapiunas
Poetas que nasceram na região cacaueira e que possuem uma forte tradição na literatura brasileira com autores como Jorge amado, Jorge Medauar, Sosígenes Costa, Firmino Rocha, Adonias Filho, Hélio Pólvora, Telmo Padilha, dentre outros!
Para quem ficou curioso e quer escutar mais poemas destes incríveis artistas baianos, fiquem ligados na 107.5 FM, todos os dias às 11h30min ou às 23h30min! Quem sabe você não conhece um pouco mais da vida e obra de poetas grapiunas?
terça-feira, 17 de maio de 2011
Estréia
E o Minutos de Poesia estreou nesta segunda-feira, às 11h30min, na 107.5 Rádio Educadora FM! O primeiro programa, apresentado por Gideon Rosa e Lara Couto, contou com a maravilhosa participação do ator Harildo Deda!
Para os amantes de poesia e os curiosos que apreciaram a interpretação de Harildo Deda e gostariam de ouvir novamente o lindo Soneto XVIII de Shakespeare, fiquem atentos, os programas serão disponibilizados semanalmente, na Educadora Online!
E VAMOS DE POESIA:
18
Devo igualar-te a um dia de verão?
Mais afável e belo é o teu semblante:
O vento esfolha Maio inda em botão,
Dura o termo estival um breve instante.
Muitas vezes a luz do céu calcina,
Mas o áureo tom também perde a clareza:
De seu belo a beleza enfim declina,
Ao léu ou pelas leis da Natureza.
Só teu verão eterno não se acaba
Nem a posse de tua formosura;
De impor-te a sombra a Morte não se gaba
Pois que esta estrofe eterna ao Tempo dura.
Enquanto houver viventes nesta lida,
Há-de viver meu verso e te dar vida.
(Shakespeare)

